Escrevi de verdade porque aqui o que não falta é treinamento de incêndio. Em todos os lugares, bastou alguém resolver disparar o alarme (o que aparentemente é uma coisa bem comum aqui) pra ter que evacuar a área, esperar os bombeiros investigarem e só daí poder voltar. Portanto, todos conhecem muito bem o procedimento de evacuação em caso de incêndio. Mas e aí quando o negócio é de verdade?

Bom, era mais um dia normal na escola com as crianças até que um barulho ensurdecedor disparou. Não é exagero! Sabe aqueles barulhos agudos no máximo volume? Pois é, sem pausa, completamente descontrolado. Parei por alguns segundos, porque tava difícil até de pensar e me liguei: “Ah, alguém disparou o alarme”, pensei.

Na loja que eu trabalho acontece 1 vez por mês, então já estou acostumada com o processo todo. Mas peraí, não tem criança, não tem problema, rs. Quando eu me levantei para começar a organizar mentalmente todos os passos (criança, casaco, fila…) senti um cheiro de queimado muito forte. Ferrou.

Olhei para os lados, minhas professoras estavam correndo, mas tudo na maior calma. Pegaram um berço e começaram a colocar todas as crianças dentro dele. Parecia um filme, mas todas as pessoas se movimentavam precisamente e rapidamente e tudo se ajeitou tão rápido que eu não precisei fazer nada. Quando acabou meu estado de choque, que eu juro, durou uns 15 segundos, as crianças já estavam sendo levadas (em 1 berço de rodinhas) para fora da escola. As professoras só o empurravam.

“O Nolan ficou dormindo no berço!” Alguém gritou. Rapidamente todos se olharam, e a única pessoa que estava fazendo absolutamente nada era eu. “Elisa, vai pegar o Nolan”, aí sim teve grito. Saí correndo, peguei a criança que, acredite, estava dormindo com toda aquela confusão e carreguei ele no colo até a porta de saída. Todos me esperaram, e assim que eu cheguei abriram a porta e saímos todos juntos.

Lembrei que eu morava no Canadá quando percebi que estava de manga curta e hoje fez 8 graus de manhã. Mas ainda bem que no Canadá isso é o de menos e, junto com os 5 caminhões de bombeiros, chegaram os cobertores com furos na cabeça (em mais ou menos 3 minutos). E lá estávamos nós. Várias professoras descalças no meio da rua, carregando berços cheios de crianças com cobertores com furos na cabeça.

Foi isso. Os bombeiros resolveram tudo, voltamos pra escola e o dia continuou como se nada tivesse acontecido. Ah, pra quem quis saber, o incêndio foi na cozinha do andar de cima do nosso…

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