Estou continuando a escrever porque não quero traumatizar ninguém com a Parte I (para ler, clique aqui) e também porque, apesar de todos os perrengues, com certeza foi uma das melhores experiências da minha vida. Sim, para os que perguntaram, morei em casa da família, Sim, era uma casa de uma família Filipina (maravilhosa, AMO eles de paixão até hoje temos bastante contato), mas não, nem tudo foi lindo e maravilhoso o tempo todo, e essa foi a graça, pois aprendi, amadureci, entrei em contato com outras culturas (no caso a americana e a filipina) e principalmente foi nessa experiência que eu descobri muitas coisas sobre mim mesma, descobri muitas qualidades que eu não tinha ideia que possuía.

Bom, depois do primeiro mês, que foi bem complicado, acho que finalmente me caiu a ficha e eu pensei: “Vai ser isso aqui mesmo, como que eu vou encarar?” e aí eu realmente me joguei. Não tinha quase nenhum aluno internacional na minha escola, me lembro de ter muitos asiáticos (mas eles ficavam meio isolados em grupos de pessoas que falavam a mesma língua, então com eles eu tinha menos chance ainda, rs) e como as minhas aulas eram mais descontraídas – teatro, dança, espanhol – eu tinha mais espaço pra me “enturmar”.

Acho que o que mais me agoniava era ter muita coisa pra acrescentar e não conseguir me expressar do jeito que eu queria. Em português eu sou um turbilhão, posso passar 2 horas falando sozinha em uma conversa em grupo (haha exagerei) mas era assim que eu me sentia, meio oculta nas minhas colocações. Mas como nunca fui tímida, peguei quem quisesse ser meu cobaia (no caso meus dois irmãos mais novos, um menino e uma menina) e ficava praticando meu inglês, eles tinham paciência e me ensinavam as piadas, besteiras, foram meu kit sobrevivência, literalmente. No fundo acho que eles deviam me achar uma louca, eu chegava em casa e tirava todo mundo do quarto pra conversar comigo, fazia brigadeiro e ficávamos a noite inteira rindo e falando besteira.

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Mac and Danica ❤

Óbvio que eles riam muito da minha cara, do meu sotaque, do jeito totalmente errado que eu falava. Mas, exigente, eu só ficava satisfeita quando a minha palavra saía o mais próximo do “correto” possível, então a minha prática era bem engraçada. Enfim, a minha host mother também adorava, porque dava um movimento pra casa, juro que os outros meses foram a maior festa. Eu me sentia completamente em casa, a minha amizade com eles foi só crescendo, junto com o meu inglês. Eles são o que eu mais tenho saudade do meu intercâmbio (apesar de falar com eles quase que semanalmente até hoje). Eles se tornaram parte da minha família.

Resumo: eu aprendi a falar inglês, não passei naquela matéria U.S Government (rs, juro!), voltei para o Brasil, mas ganhei uma casa na Califórnia pro resto da vida. Ah, e virei professora de inglês, com 18 anos e recém chegada.

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One thought on “Sobre o meu 1˚ intercâmbio [Parte II]

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