Sabe aquela conversa de pessoas “super entendidas” que dizem: “Eu sempre deixei meus filhos chorarem no berço, é assim que se ensina autonomia! Hoje eles aprenderam a dormir sozinhos”. Por favor, desconfiem, se questionem, leiam, busquem outras informações antes de tomar uma atitude drástica. Uma coisa que eu sempre falo é: se coloque no lugar do seu filho e não faça com ele algo que você não gostaria que fizessem com você. Só que você é adulto, você já sabe falar, e aí o que você faz? Grita? Se imagine gritando com alguém e esse alguém te ignorando? Aonde vai o seu nível de raiva? Não consigo imaginar em que lugar do planeta isso deve ensinar algo para alguém, imagine uma criança.

Uma criança que chora está querendo nos dizer algo, seja porque ela ainda não se expressa verbalmente ou não sabe expressar verbalmente o que está sentindo. No primeiro caso o senso comum fala mais alto (eu espero). A criança que não sabe falar está precisando de algo: não é fome, não é sono, não é fralda suja? É dor? É manha? Vamos dar algumas outras opções para essa criança. Vamos conversar com o bebê para entender o que o faz chorar, as vezes é atenção, é carinho, é contato. Não é só porque o bebê ainda não fala que ele não entenda tudo o que você fala com ele. Quando você verbaliza o sentimento ele fica mais claro, tanto para você, quanto para a criança, por exemplo: “Filho, você quer um carinho? Quer que a mamãe te abrace? Não precisa chorar, vem aqui que eu te abraço”.

Quando a criança já fala não significa que ela saiba expressar o que está sentindo, é difícil isso e muitos adultos ainda não aprenderam (posso dar vários exemplos, agressividade é uma característica de quem não sabe se expressar verbalmente, aumentar o tom de voz é outra, socar a parede, a porta, o amigo, entre mil outros…). O que você vai ensinar para o seu filho é uma qualidade muito importante: saber expressar seus sentimentos verbalmente. Uma criança frustrada chora, uma criança irritada, frustrada, contrariada, emocionada, chateada…O choro pode representar muitos sentimentos, e você ADULTO deve ajudar a criança a reconhecê-lo.

Não estou dizendo que você não deva deixar a criança chorar, mas você precisa estar do lado dela legitimando esse sentimento, e não se colocando ausente, fingindo que não ouve, deixando a criança “sozinha”, nem MUITO MENOS mudando o seu comportamento para que a criança pare de chorar (por exemplo deixar a criança fazer o que quer só para não ser contrariada e daí chorar: NÃO RESOLVE!).

O que resolve é explicar o sentimento para a criança, ajudá-la a identificá-lo e assim conseguir se acalmar sozinha no futuro. As pessoas não aprendem sozinhas. Vou dar um exemplo: “Filho, eu sei que você está chorando porque está com medo de dormir sozinho, mas a mamãe está no quarto ao lado, vai ficar tudo bem. Vou ficar aqui mais 5 minutos e depois vou voltar para o meu quarto, tudo bem assim? A mamãe está cansada e precisa dormir também”.

Não é da noite para o dia que a criança aprende, são comportamentos constantes dos responsáveis que vão desenvolvendo lentamente a autonomia, o cuidado, a segurança. Não ignore nunca um comportamento do seu filho, uma ação negativa nunca pode gerar algo positivo, pense nisso. Se você está cansado, de saco cheio, irritado, se permita se sentir assim e peça ajuda, para seus pais, seu parceiro (a), seus vizinhos (as), mas não desconte na criança, não invente maneiras mirabolantes de legitimar o seu sentimento. Lembre-se, depois que você tem filhos não dá mais pra ser a criança!

 

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