Antes de toda a saga Canadá e etc…minha vida foi igual a 99% de vocês que estão aqui lendo: preciso aprender a falar inglês. Apesar de ter nascido numa família privilegiada, ter estudado 10 anos em uma escola de inglês famosa em São Paulo, não foi assim que eu aprendi. 15 anos atrás (quando eu comecei a estudar inglês) as escolas eram super tradicionais, os modelos de ensino eram muito focados em leitura e escrita, e eu NUNCA fui uma aluna tradicional, rs. Nunca gostei de estudar, portanto, ia capengando para passar de semestre. Mas aprender algo que eu fosse usar, isso foi bem depois.

1 mês antes de me formar no Ensino Médio, juro, 1 mês. Meus pais sugeriram de eu ir morar fora uns 6 meses. Eu que tinha 18 anos, não tinha a MENOR ideia do que isso significava, falei um: “aham” e virei pro outro lado. Tudo foi acontecendo muito rápido, prova, entrevista de visto, fotos, currículos, papelada. Mas minha cabeça mesmo estava na festa de formatura do final de semana que eu não podia perder. Acho que não tive nem tempo de ficar ansiosa, quando eu pisquei, pousei em Los Angeles, na Califórnia.

Fomos eu, duas malas maiores do que a minha pessoa e um nextel que fazia chamada de rádio internacional. Coitada, mal sabia…rs

Morava em uma cidade maravilhosa, numa casa gigante (vou me limitar aos perrengues da língua nesse post, haha) com 5 adolescentes + eu. 1 menina do Vietnã, outra da China, e os 3 filhos do casal que era dono da casa. Pois bem. Parece maravilhoso não é? E seria, se eu soubesse falar inglês, haha. Eu cheguei na escola e adivinha? O primeiro dia era de orientação. Me diz POR QUÊ raios fazem uma orientação de 5h de falação para pessoas que não sabem falar inglês? haha Conclusão: não entendi direito as regras da escola, eram tantas coisas que eram proibidas, regras de vestimenta, comportamento, atraso, pelo amor de Deus!

Depois tive que escolher as matérias que eu queria fazer (isso é o máximo!). Como não sou nada boba escolhi logo as mais fáceis (que eu achava, óbvio). Minha grade era: inglês (porque era obrigatório), teatro (já tinha feito muitos anos no Brasil, não podia ser difícil), dança (nem precisava se expressar com palavras, não ia ser um problema), espanhol (essa foi realmente fácil haha), U.S. Government (essa aula até hoje acho que eu não sei sobre o que era) e religião (era uma escola católica).

Foi no segundo dia que eu comecei a ficar agoniada. Me lembro de não ter internet, que nem as coisas são hoje, Instagram, Whatsapp, Facebook… nada disso existia. Ou seja, eu me comunicava 1 vez por semana com os meus amigos e familiares por e-mail. Não tinha como fugir, ia ser aquilo mesmo nos próximos 7 meses. Eu olhava pras pessoas, sorria, mas rezava pra ninguém vir falar comigo. Eu morria de ódio de não entender o que falavam ao meu redor, demorava uns 10 segundos pra entender qualquer pergunta que era direcionada a mim, imagina manter uma conversação.

Resumo da primeira semana: de lição de casa tinha uma cena de, ninguém menos do que Shakespeare, para decorar (só pra aquecer), uma coreografia inteira de sapateado para aprender (pois eu era a ÚNICA que tinha entrado no meio do ano e que ainda não sabia –  e também que NUNCA tinha feito sapateado na vida), ter lido a bíblia inteira e saber de cor vários versículos (em inglês e de chamada oral, cada dia uma pessoa da sala), saber a ordem de todos os presidentes dos Estados Unidos (e decorar o juramento à bandeira). Tá bom pra você?

Saldo do primeiro mês: uma péssima primeira impressão da Lady McBeth (aonde está a interpretação se eu não entendia UMA palavra do que estava escrito), se arrepender profundamente de ter escolhido dança, (muito pior do que não saber falar era pisar com o sapato de sapateado na hora errada da coreografia), entender que eu nunca soube o que é ser religiosa de verdade, e algumas (MUITAS) advertências (mais conhecidas como DETENTIONS) que eu recebia por dia (já que eu não tinha entendido as regras no dia da orientação).

Calma! Não acabou…

Tem parte II : para ler clique aqui

 

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One thought on “Sobre meu 1˚ intercâmbio [Parte I] (não foi no Canadá)

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