Com a invenção do tablet os problemas dos pais acabaram, certo? Errado. Mas engana-se quem acha que o problema é o tablet. O buraco é muito mais embaixo. O tablet possui vários jogos educativos, livros interativos, desenvolvem coordenação motora fina, línguas e diversas outras formas de inteligência que são importantes na infância, certo? CERTÍSSIMO. Então qual o problema?

Assim como tudo na vida, precisamos saber acertar a dosagem, e parece que com o passar dos anos, tem ficado cada vez mais difícil estabelecer limite para nós mesmos, que dirá para as nossas crianças. Não é proibir o uso, mas não é a todo momento  ou a todo lugar que ela pode usar. O tablet tem a sua função, e não deve ser confundida com: “estou cansada de ouvir meu filho gritar, deixa eu ligar um desenho aqui pra ele se distrair”. É esse o problema do tablet, na minha opinião. Quando ele substituiu a atenção que você poderia dar para a criança de outra forma, mas você preferiu ignorar e usar a tecnologia.

Fico me perguntando como as pessoas faziam antigamente sem a tecnologia, como iam a restaurantes com seus filhos sem um celular ou tablet na bolsa caso a criança abrisse um berreiro. “Ah, mas a criança copia o comportamento dos pais, se eles usam o celular na mesa é injusto a criança não poder”. Concordo, acho bem injusto. Mas é esse tipo de relação que você quer criar com o seu filho? Cada um no seu quadrado sem interação, sem troca, cada um por sí? O que será que isso vai refletir no futuro?

Vamos pensar no quanto influenciamos as crianças com os nossos comportamentos, o quanto somos modelos para eles, principalmente na infância. Você já imaginou o que representa para o seu filho de 5 anos? Você é tudo de mais importante no mundo para ele, você é a pessoa que o seu filho quer ser quando crescer. Não coloque nunca a tecnologia na frente da relação humana, o tablet não substitui afeto, não substitui amor. Que tal criar um filho que quando tiver um problema prefira buscar ajuda com você ao invés de entrar no google?

É uma loucura quando a gente pensa nisso, mas os nossos problemas mais profundos são desenvolvidos na primeira infância. É importante o questionamento, a conversa, o aborrecimento, só assim se dá o crescimento. Vamos usar o tablet sim, mas como um brinquedo que nem outro qualquer, não como um recurso caso o seu filho dê um chilique.

Os pais precisam começar dando o exemplo. É importante que a criança se sinta desconfortável em um ambiente, aborrecida, irritada. Você quer que o seu filho aprenda a lidar com esses sentimentos na infância, que ele conheça o sentimento de aborrecimento e entenda que faz parte da vida, que ele saiba esperar, saiba ouvir…tudo isso o tablet não ensina, muito pelo contrário. O tablet ensina que a minha irritação e o meu nervosismo se resolvem rapidinho a hora que eu quiser. E vamos combinar, no mundo real, sabemos que nada se resolve assim, rapidinho.

Elisa Bianco

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