Desde pequeno, minha mãe sempre foi muito preocupada com o meu desenvolvimento. Nossos momentos eram muito particulares e intensos. Minha mãe sempre conversou muito comigo, desde a barriga.

Naturalmente minha mãe não me censurou e conseguiu fazer com que eu tivesse as minhas primeiras experiências, que foram base do que eu sou hoje, por exemplo: a partir do olhar da minha mãe sobre as minhas ações diante dos objetos que eu pegava, eu conseguia entender quais eram os meus limites: entender o que é bom e ruim, e gradativamente fui evoluindo sem pular nenhum estágio. Minha mãe sempre soube respeitar o meu tempo.

Quando comecei a comer, nossos papos eram longos. Ela me explicava tudo sobre aquele momento. Eu sabia o que ia fazer, o que ia comer e o porquê. O mesmo acontecia na hora do banho, do sono, da história. E ela cantava muito pra mim.

Passávamos o dia todo juntos, conversando sobre a vida. Eu percebia sua presença de longe, pelo cheiro, voz. E quando dormia, ao me tocar, eu já sabia que era ela. Éramos uma só pessoa, e só agora percebo, o quanto tudo isso foi importante pra mim.

Mas tarde, iniciei minha vida escolar. A sala de aula que eu frequentava ela muito colorida e alegre. Mas, sentia a falta do conforto e segurança que minha casa e minha mãe me traziam. Era um ambiente estranho pra mim, eu não conhecia ninguém. Lá não tinha a minha mãe, meu pai, meus avós, as pessoas que eu conheço. Lá só tinha um monte de gente que eu nunca vi na minha vida. Tinha uma professora que demonstrava ser super alegre e se divertia com todos os brinquedos de lá, parecia que ela queria ser a minha mãe. Mas eu não conseguia desgrudar do colo da minha verdadeira mãe. Só de pensar que ela podia me largar, e ela fazia isso, eu começava a gritar, urrar de tanto chorar, Deus me livre ficar lá sozinho! Então deixa o meu pai ficar lá, e a minha vó? Tudo bem ser só a minha vó, eu ficaria bem se ao invés da minha mãe tivesse lá outra pessoa que eu conheço.

Minha mãe me deixou lá sozinho! Foi horrível, chorei uma semana inteira. Todos os dias! Me lembrei de quando comecei a desmamar, foi difícil no começo, mas minha mãe sabia que era o melhor pra mim. Aí a escola começou a melhorar, vi meus amigos da sala, eles também começaram a chorar só de vez em quando, só quando a professora saía de perto. A escola começou a fazer parte de um ambiente familiar pra mim. Eu já conhecia os espaços, já sabia onde as coisas ficavam. Sabia que tinha uma rotina e que, em determinado momento era a hora de ir embora e alguém viria me buscar, e era assim todos os dias. Isso me deixava mais seguro. Aprendi que eu sempre voltava pra casa. Minha professora me tratava com muito carinho, ela era linda e eu gostava muito do colo dela. Só deixava ela me alimentar e só conseguia dormir no colo dela.

Também tinha outra coisa: me deixavam levar meu paninho. Isso também me dava muita segurança, tinha o cheirinho da minha casa. As vezes, quando eu ficava com muita saudade da minha mãe eu dava uma “cheiradinha” no meu paninho, passava ele pelo meu rosto e tudo voltava ao normal, me acalmava. Levar o paninho pra escola era como levar uma parte da minha casa e da minha mãe comigo. Me ajudava a viver essa transição para a minha nova realidade.

Ainda bem que passei por todas essas experiências, todas foram muito importantes e eu agradeço a minha mãe por ter me dado a base que eu precisava, por ter deixado de fazer muitas coisas pra ela pra fazer por mim.

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