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Sem a menor dúvida essa é a pergunta que 9 de 10 pessoas me fazem de cara. Apesar de já ter certo espaço aberto para essa discussão, eu acredito ser o maior tabu da modernidade, se tratando de educação. Muito pelo fato de não saberem se é uma síndrome genética ou adquirida, criou-se um caos. Nas escolas, como eu já contei em outro post, é um tal de encaminhamento psicológico inacreditável. De repente, tudo é diagnosticável, tratável, curável. Os pais vivem uma “neura” constante, uma culpa louca de “se eu fizer isso, vai acontecer aquilo…” e acabam esquecendo o mais importante: a criança.

Gente, calma! E eu escrevo isso lendo em voz alta pra ver se eu acalmo a ansiedade que insiste em querer me dominar. Parece tão fácil falar, acredite, eu sei que não é. Não tenho filhos (ainda) mas entendo a vontade de querer o melhor para a criança, querer que ela seja perfeita, mas sejamos sinceros, ninguém é perfeito. Então vou mudar, devemos querer que nossos filhos/alunos sejam bem esclarecidos (?). E como é isso?  Uma criança bem esclarecida vai precisar passar por diversas frustrações até entender que ela não é o centro do universo, que todos não vieram no mundo para servi-la, que ela não ganha sempre, e etc…

A diferença da criança autista, na minha opinião, é a sensibilidade. A criança, para fazer parte da nossa sociedade, PRECISA passar por uma série de “surtos construtivos”. Surtos que vão fazê-la entender que não é batendo no amigo que eu ganho o meu brinquedo de volta. Quem já presenciou uma criança de 3 anos irritada vai entender bem do que eu estou falando. É difícil dividir, é difícil fazer parte de um grupo. A diferença é que para uma criança mais sensível é mais difícil ainda, portanto os surtos são bem maiores, de intensidade e de duração.

O que estou querendo dizer é que para uma criança autista, o nível de esforço colocado numa situação como: emprestar um brinquedo ou participar em grupo vai ser sempre maior. E maior ainda quando ela é pequena, pois nem ela entende o que é esse incômodo tão grande que ela sente dentro dela. Conforme os anos vão passando, a criança vai se identificando, se entendendo melhor e ai as coisas começam a fazer mais sentido. Por isso que eu disse calma! A ansiedade é nosso inimigo, rs. O autista precisa de tempo pra se reconhecer, só ele vai saber dizer o que é melhor pra ele, não tente você querer adivinhar.

Eu tenho um aluno autista e sabe o que eu faço de melhor por ele? Eu estou sempre ali pra quando ele precisar de um abraço depois de um surto, mas além disso, teimo em dizer que ele tem capacidade de fazer absolutamente tudo sozinho, e sabe que as vezes até ele duvida dele mesmo? E toda vez que alguém também duvida da capacidade dele, e resolve colocar o casaco nele ao invés de deixá-lo colocar sozinho, jogamos sua auto-estima lá embaixo, e lembra daquela conversa de se conhecer para se reconhecer no mundo? Cada vez mais distante. Por isso eu repito: quer doar algo de bom para a criança? Doe o seu tempo, doe a sua paciência, não faça por eles o que eles podem fazer sozinhos. Nossa tendência é resolver o detalhe. Hoje, te sugiro pensar no macro, o que realmente de bom eu posso ensinar a essa criança?

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